Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

desapego.

foi como se regressassem há anos atrás. lembraram-se da promessa que ambos haviam feito em alguma tarde: jamais veriam aquela banda, novamente, senão fossem juntos.
e assim a promessa seguiu anos a fio.
todas as vezes que um deles precisava animar-se colocava uma das músicas da tal banda, e pronto! estavam prontos para enfrentar todos os dragões, exércitos e mau agouros do mundo.
então, venceram. cada um ao seu modo.
ela parou de procurá-lo nos espaços vazios da casa.
ele foi encontrar a si mesmo, longe dela que tanto o perturbava.
sabe quando o gostar torna-se aflitivo? pois é. ele ficava aflito todos os dias que cruzava com ela por algum corredor.
do rosto dela brotava o maior sorriso do mundo.
não era amor, não era paixão, mas era tudo.
e ele era a única coisa que ela tinha.
enquanto pra ele aquele tudo era nada, mas sabia que necessitava da atenção dela.
foi com ela que descobriu gostava das cores mais fortes, que mojito era a melhor bebida do mundo e que detestava pessoas ciumentas.
e o reencontro naquela tarde fria foi calorosa. sem olhos nos olhos, apenas motivados por aquilo que um dia fizeram prometer algo um ao outro.
não gostavam de planos, promessas, sonhos, não teriam um futuro e procuravam não falar sobre. não se queixavam demais, nem de menos. procuravam-se aflitos todas as vezes que sentiam a solidão se aproximando.
pintaram os tênis com caneta hidrocor e desenharam flores na parede.
- essa música me lembra você. - disse tímido.
- ela me lembra você também.
não sabe-se por quanto tempo ficaram sem se falar. nunca mais se viram desde a última vez que contaram moedinhas pra comprar um café.
prometeram igualmente descompromissados que se lembrariam pro resto da vida e cantariam juntos, cada um num ponto distinto do mundo, aquilo que os unia.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

sobre motivação.

Sábado, 20 de Junho de 2009

sobre os mundos que amam você.

existem todos os mundos dentro de mim.
todos eles querem transbordar, querem me jogar pra fora.
tenho muito amor e todos eles correm pro mesmo lado, pra mesma pessoa.
e em cada mundo desses que eu guardo dentro de mim, em cada minucioso mundo, existe muito dela.
em cada novo amanhecer a lembrança do sorriso, o sorriso que me faz querer sempre ir além.
que me dá vontade de deixar tudo pra trás.
as feridas passadas passaram e hoje já não se tem mais histórico do que se foi, porque o que se foi não foi. não foi nem sopro, nem bagunçou os cabelos ou trouxe névoas.
em cada mundo existe saudade e uma vontade de nunca deixar de estar perto. de nunca deixar de passar uma hora sem que surja um 'eu te amo' sincero e carregado de... amor.
porque amor não sei se a gente escreve na árvore com canivete ou pinta um quadro com ele.
não sei se a gente marca na pele, o amor da gente.
sei que amor a gente sente. sente naquele abraço, naquele carinho, na forma como a pessoa te acorda e o jeito que só ela é capaz de te animar.
amor é brega.
amor consome cada centímetro da gente.
a vontade é de ter todo o seu amor perto, por todas as horas do seu dia, todos os dias da sua semana...
existem mais primaveras nos meus mundos, mais arco-íris nas minhas tempestades e mais carinho nas minhas manhãs.
tudo porque nos meus mundos existem um amor.



quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
-paulo leminski

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

então fala, guria!

para loretta, setembro de 2007;



ahhh meu!
manda todo mundo tománocu... e seja feliz.
às vezes, pausar o mundo seria delicioso.
eu gostaria muito!!
mããs...

deixo um beijo.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

fragmento

IV
acreditava que só ganhando na mega sena ela teria paz.
precisava ficar rica, se livrar dos problemas, parar de enfrentar os coletivos paulistanos.
morava com a mãe, um irmão deficiente, uma irmã que apanhava do marido e foi embora de casa, uma sobrinha com seu filho e mais um punhado de desavenças.
não tinha namorado.
era chata, exigente, reclamona, trinta e poucos anos e cabeça de gente que já passou da idade de ser feliz.
e ria assim descompassadamente com qualquer besteira e fechava a cara pra qualquer um que ousasse encostar nela, fosse por descuido, pelo empurra-empurra, fosse por carinho.
dizia que nunca mais havia amado um homem como amou seu ex-noivo. nunca conseguiu explicar ao certo porque terminaram. nunca ninguém perguntou por medo de uma resposta atravessada.
vaidosa, cuidadosa, jamais saía descabelada ou sem salto na rua.
era uma pessoa contraditória na maior parte do tempo. ora legal, ora chata; ora agressiva, ora carinhosa.
comia pouco, devagar. ouvia mais do que falava. gostava de cerveja e churrasco.
era simples, cotidiana, metódica, sem grandes explicações ou procedimentos.
talvez a vida tenha sido díficil. talvez ela tenha dificultado a vida. talvez precisasse de um amor. talvez precisasse superar algum passado. talvez ela, realmente, ganhasse na mega sena com um dos quatros jogos e enfim, sorriria aliviada.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

eu te amo não diz tudo.

'sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou há dois anos, é vê-la tentar reconciliar você com o seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo tempestade em copo d'água.
sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão...
sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.'

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

there is a light that never goes out

porque nascemos otimistas, alguns diriam, excessivamente otimistas.
talvez, eu tenha nascido otimista de outra forma, dessas que acreditam que o vizinho será eternamente feliz com sua cinderela linda.
nascemos assim.
eu aqui com metade dos olhos da minha mãe, metade dos olhos da minha avó paterna.
minha mãe que por sua vez tem os olhos do pai dela e o jeito da mãe.
a gente acredita em todas as luzes durante o percurso, a gente acredita que tudo dará certo até o último minuto, acho que a gente não sabe deixar as coisas pra lá só porque são difíceis ou porque alguém disse que não daria certo.
acho que nós somos meio cabeçudos até.
não existe gente mais teimosa que a gente, não existe.
somos os campeões!
e somos todos duros na queda, a gente pode até cambalear, mas cair? é bem improvável!
até aonde iremos?
até que ponto o nosso otimismo, a nossa teimosia é capaz de nos levar?
e agora estamos todos com medo, mas acho que estamos prontos.
amendrotados porque nunca gostamos de perder, não admitimos as falhas.
e talvez, a gente não saiba entender, ainda, algumas coisas da vida e da morte.
talvez porque sejamos humanos ou porque não nos sintamos confortáveis sem esperança ou porque a gente perdeu e perder, não é com a gente.
abracei a senhora otimismo que me disse 'tô com medo, aline, com muito mesmo' 
e uma vez ela mesma me disse 'enquanto há vida, há esperança'.

a senhora otimismo adormeceu chorando, essa noite.