foi como se regressassem há anos atrás. lembraram-se da promessa que ambos haviam feito em alguma tarde: jamais veriam aquela banda, novamente, senão fossem juntos.
e assim a promessa seguiu anos a fio.
todas as vezes que um deles precisava animar-se colocava uma das músicas da tal banda, e pronto! estavam prontos para enfrentar todos os dragões, exércitos e mau agouros do mundo.
então, venceram. cada um ao seu modo.
ela parou de procurá-lo nos espaços vazios da casa.
ele foi encontrar a si mesmo, longe dela que tanto o perturbava.
sabe quando o gostar torna-se aflitivo? pois é. ele ficava aflito todos os dias que cruzava com ela por algum corredor.
do rosto dela brotava o maior sorriso do mundo.
não era amor, não era paixão, mas era tudo.
e ele era a única coisa que ela tinha.
enquanto pra ele aquele tudo era nada, mas sabia que necessitava da atenção dela.
foi com ela que descobriu gostava das cores mais fortes, que mojito era a melhor bebida do mundo e que detestava pessoas ciumentas.
e o reencontro naquela tarde fria foi calorosa. sem olhos nos olhos, apenas motivados por aquilo que um dia fizeram prometer algo um ao outro.
não gostavam de planos, promessas, sonhos, não teriam um futuro e procuravam não falar sobre. não se queixavam demais, nem de menos. procuravam-se aflitos todas as vezes que sentiam a solidão se aproximando.
pintaram os tênis com caneta hidrocor e desenharam flores na parede.
- essa música me lembra você. - disse tímido.
- ela me lembra você também.
não sabe-se por quanto tempo ficaram sem se falar. nunca mais se viram desde a última vez que contaram moedinhas pra comprar um café.
prometeram igualmente descompromissados que se lembrariam pro resto da vida e cantariam juntos, cada um num ponto distinto do mundo, aquilo que os unia.

