domingo, 8 de novembro de 2009

passado a limpo.

diga que eu não gosto dela. diga que não suporto ouvir aquele nome e nem saber de como foi o que já passou. diga que o passado me incomoda simplesmente por um dia ele ter sido presente, mas não omita a parte que eu não suporto as suas atitudes hipócritas e demagógicas. diga que ela não tem culpa, pois a única culpada é aquela que se importa: eu.

desejo sorte nessa sua nova fase. sei que não é fácil e não será. espero que você esteja abrindo a janela do quarto pra ventilar. sei que toda vez que você abre essa janela, você acaba vendo o vizinho da frente, mas mesmo assim, abra. deixe entrar luz na sua casa. e lembre-se: i've had enough of the world.

você podia ter confiado em mim, eu te entenderia melhor que qualquer amiguinho seu. mesmo assim, você foi a pessoa mais transparente que eu já conheci. o dia mais bonito de todos os dias bonitos foi aquele do 'você não sabe dançar', ou seria o dia do pavarotti? sei que você é corajoso e vai dar tudo certo.

acho o comunismo chato, sempre te falei isso. o jeito como você mexe nos cabelos e fala sobre che guevara é, digamos, entusiasmante. eu te desejo muito pearl jam e que o humor ácido perpetue-se por toda a sua vida.

você é um completo idiota, só não digo que é mais idiota porque você ainda não é um ser completo.

e pra você sobram os meus sessenta e quatro anos. pra você uma pitada de beatles e limões sicilianos. existe um pote de ouro no final de cada arco-íris.



quinta-feira, 15 de outubro de 2009

far, far.


far far, there's this little girl
she was praying for something to happen to her
everyday she writes words and more words
just to speak out the thoughts that keep floating inside
and she's strong when the dreams come cos' they
take her, cover her, they are all over
the reality looks far now, but don't go.

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
oh oh oh oh

far far, there's this little girl
she was praying for something good to happen to her
from time to time there're colors and shapes
dazeling her eyes, tickeling her hands
they invent her a new world with
oil skies and aquarel rivers
but don't you run away already
please don't go oh oh

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
take a deep breath and dive
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess
beautiful mess inside

oh beautiful, beautiful
far far there's this little girl
she was praying for something big to happen to her
every night she hears beautiful strange music
it's everywhere there's nowhere to hide
but if it fades she begs
"oh lord don't take it from me, don't take", she says

i guess i'll have to give it birth
to give it birth
i guess, i guess, i guess i have to give it birth
i guess i have to, have to give it birth
there's a beautiful mess inside and it's everywhere

so shake it yourself now deep inside
deeper than you ever dared
deeper than you ever dared
there's a beautiful mess inside
beautiful mess inside

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sobre nossos pais.

estão unidos, dessa vez.
não sei se é por conta do dinheiro, apenas, ou foi algo além que os motivou a estarem assim.
ele nunca foi bom com trabalhos em equipe. sempre liderou departamentos solitários.
ela sempre foi o oposto, liderava pessoas com esplendor: a chefe que todo mundo queria.
a união faz a força, já diziam por ai.
ela acreditava em 'o importante é participar...', pra ele o importante era vencer, lucrar.
pela primeira vez, ele faz planos. ela concorda com o que ele diz.
água e óleo, finalmente, resolvem ser homogêneos.


domingo, 11 de outubro de 2009

escrever é preciso, ou não.

não sei mais escrever, isso é fato. fato esse que tenho lutado todos os dias contra.
faço o login, vou para parte de postagem e não! não vem uma palavra, uma idéia, um acontecimento que mereça ser contado... nem mesmo o bom e velho bloco de notas tem me ajudado.

- que que tá acontecendo, hein? cadê a poesia?
- não sei, quando eu era triste... era mais fácil.
- mas você tá 100% feliz agora?
- digamos que estou 80% feliz.
- então usa o restante dos 20% pra inspirar...
- vou fazer isso...

mas não, as palavras tem medo de mim. ou talvez, eu tenha mais medo delas ainda.
se, por acaso, o que eu quero escrever passar por ai, indique o caminho de volta e peça urgência.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

eu sei que vou te amar.



eu sei que vou te amar
por toda a minha vida eu vou te amar
em cada despedida eu vou te amar
desesperadamente, eu sei que vou te amar
e cada verso meu será
prá te dizer que eu sei que vou te amar
por toda minha vida
eu sei que vou chorar
a cada ausência tua eu vou chorar
mas cada volta tua há de apagar
o que esta ausência tua me causou
eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
a espera de viver ao lado teu
por toda a minha vida

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sobre comportamentos

- valeu, obrigada, você foi espetacular. de verdade, muito obrigada por ter acabado com a minha vida.
- essa não era a minha intenção, você sabe disso.
- sabe o que eu sei? eu sei o quanto você tem sido egoísta comigo... sei o quanto nunca pensou em mim... sei o quanto nunca se importou com o que me chateava... sei tudo de você, meu caro. e juro, não gostaria de saber... você conseguiu o que queria... levou minha vida com você, está satisfeito?
- não.
- deveria estar...
calaram-se pelo infinito dos segundos que se seguiram.
ele não imaginava o que tinha feito com a vida dela, afinal a vida não era dele e ela sabia perfeitamente, o quanto aquilo a havia magoado.
lágrimas escorriam pelo rosto pálido da garota, olhos atônitos, secura nos lábios, nó na garganta, sufocamento.
'o que eu fiz?', pensava o garoto, secando o suor que lhe descia pela testa. bochechas rosas e ardores no pescoço.
- me perdoa.
- perdoar? não tem o que perdoar, não tem nada o que fazer agora... tudo que eu podia, eu fiz. você conseguiu me ver em algum momento? você fez alguém me notar? me perdoe você, mas eu tô cansada do seu egoísmo. adeus.

a porta ao fundo bateu com tal força que o garoto sentiu quebrar o que ainda lhe restava de humano.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

sobre a TUA mãe.

'eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
eu não encho mais a casa de alegria
os anos se passaram enquanto eu dormia
e quem eu queria bem me esquecia...'


mães são engraçadas, por mais que a sua seja chata, com certeza em algum momento você rirá descontroladamente dela (ou com ela) e achará que, no fundo, sua mãe é uma grande maluca.
conheço mães que pensam ter dezesseis anos ainda. outras que com menos de sessenta já passaram dos noventa, mentalmente. tem aquelas que cuidam, aquelas que descuidam e pouco se importam. tem uma 'purpurinadas' e outras que não saem do nude por nada nessa vida.
se eu fosse fazer um retrato da minha mãe, ele seria uma coisa à picasso. minha mãe é arte cubista, eu diria, talvez. ela não é nenhuma coisa, nem outra.
minha mãe é possuidora de todas as alegrias e tristezas do mundo. é animada, mas tem muito sono. está sempre disposta a ir pro supermercado às sete da manhã de um domingo, mas muitas vezes desanimada pra ir a um restaurante às sete da noite de um sábado. quando quer, a casa brilha; quando não quer, a casa continua brilhando.
ela me disse, esses dias, que agora chegou a hora dela acontecer. chegou a hora dela, realmente, ser bem sucedida.
acho que minha mãe é muito parecida com a sua. a sua também deve preparar pratos novos quando você vai pra casa, deve fazer chá quando você está com tosse e deve te cobrir a noite.
a minha mãe tem queixas a meu respeito, a sua também deve ter quanto aos horários que você volta pra casa.
ela já deve ter questionado alguma amizade sua, algum lugar que você frequente, porque toda mãe ora ou outra acaba questionando isso.
você nunca vai se adaptar a isso...

no final, toda mãe sabe, ouve e vê tudo, mas só elas são felizes.